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sábado, 5 de março de 2011

Entrevista - SEGUNDA OITAVA

Entrevista - JOVEM PAN

Entrevista - BLOG GOMA

Luiz Fernando Motta: Os projetos que surgiram depois da última interrupção da banda tinham propostas musicais diferentes do que vocês vinham fazendo no Violins. O Agravo partindo um pouco mais para o experimentalismo de uma banda sem guitarras e o Perito Moreno com as letras em inglês e melodias mais suaves. Esses trabalhos trouxeram mudanças significativas na sonoridade do Violins em "Greve das Navalhas"?

Beto Cupertino: Creio que não muito, porque esses trabalhos eram muito focados em experiências bem peculiares. No caso do Perito Moreno, é um projeto que eu criei sozinho e trabalhei nele sozinho, com praticamente nenhuma influência no trabalho do Violins, que já tem uma atmosfera criada, é uma banda com já 6 discos lançados e um norte bem definido.

Luiz Fernando: Uma característica forte do Violins em discos anteriores era a criação de personagens que narravam histórias envolvendo temas polêmicos, como religião e discriminação racial. Em Greve das Navalhas, os personagens não esbarram nesse tipo de polêmica. O fato de ser mal compreendido por parte do público que confunde a postura da banda com a postura desses personagens levaram vocês a deixarem isso um pouco de lado nesse disco?

Beto: Sinceramente, nunca pensei nisso na hora de escrever. Na verdade, a mudança de temática e a busca por outros modos de expressão é mais uma preocupação de não soar repetitivo e tentar explorar outros caminhos do que preocupação com o que vão pensar sobre a relação da banda na vida real com as letras. Até porque nós já estaríamos queimados há muito tempo por isso, pois já colocamos pra falar alguns personagens com visões bem malucas sobre o mundo. Parar nessa altura do campeonato por preocupação com uma interpretação equivocada por parte do público seria tarde demais e, até certo ponto, inútil, já que os discos anteriores estão lançados e estarão à disposição do público sempre.



Luiz Fernando: Como está sendo a experiência de tocar as novas músicas nesses primeiros shows? Vocês já conseguiram adaptar as músicas que possuem mais de uma guitarra, por exemplo, para o ao vivo?

Beto: Fizemos apenas 2 shows desde o lançamento do disco. Então, ainda estamos aprendendo um monte de coisa sobre as dinâmicas das músicas nos shows. Creio que nessa altura chegamos a algumas conclusões importantes sobre que músicas funcionam melhor ao vivo e quais não funcionam. Não temos muitos problemas para tocar as músicas em relação ao que foi gravado no disco até porque todas elas eram músicas tocadas por apenas 4 pessoas antes de irem para o estúdio e receberem os floreios de produção. Acho que o disco deve ser gravado sem muita preocupação com o ao vivo, porque ele vai ficar registrado para sempre. Os shows compensam a falta de uma ou outra guitarra pela emoção do ao vivo, que sempre vai ser mais vibrante que o disco.

Luiz Fernando: A sonoridade dos instrumentos está bastante "livre" nesse disco. O fato de vocês compartilharem influências parecidas permite que cada um tenha liberdade no processo de criação? Esse é o disco que melhor traduz as influências da banda?

Beto: Nós tivemos bastante cuidado com a sonoridade, como temos sempre. Até na parte de produção de timbres nós tentamos não ficar repetindo as coisas. Então, nossa idéia nesse em particular era soar diferente do ambiente fechado e soturno do "Tribunal Surdo", por exemplo. Nós sempre conversamos sobre isso, esses caminhos de produção, antes de começar a gravar. Acho que não poderia dizer que esse é o disco que melhor traduz nossas influências, no entanto. Cada disco teve sua importância pra gente, todos eles revelam muito do que a gente é como músicos que tocam juntos.

Luiz Fernando: Esta é a primeira vez que o Violins passa por Uberlândia e esse show ainda não é o lançamento oficial do disco. Vocês pensam em fazer uma seleção de músicas dos discos anteriores para os fãs do Triângulo Mineiro que assistirão ao show pela primeira vez?

Beto: Sim, o show terá músicas de cada passagem da banda e seus discos. Será, sim, mais pautado pelo disco novo, porque é o que estamos produzindo no momento, mas haverá músicas dos discos anteriores também.

Luiz Fernando: Em entrevista ao portal Nagulha, Thiago Ricco citou o show no Festival Garimpo, em BH, como um dos melhores da história da banda. Essa é a primeira vez que vocês se apresentam em Minas Gerais, fora de Belo Horizonte? Falem um pouco sobre a expectativa para o reencontro com o público mineiro.

Beto: Sim, é a primeira vez em Minas fora de BH. Na verdade estaremos em BH na semana seguinte aos shows em Uberlândia e Uberaba. Estou bastante curioso a respeito da reação do público, pois acho que somos totalmente desconhecidos para a maioria do público dessas cidades! Qualquer coisa diferente disso vai ser pra mim uma grande surpresa.



Luiz Fernando: As bandas Ophelia And The Tree e Umnavio, duas das principais representantes da cena alternativa de Uberlândia, foram escolhidas para abrir o show do Violins. As três bandas têm bastante público em comum aqui na região. Vocês já tiveram a oportunidade de conhecer esses sons? Identificam elementos parecidos entre a sonoridade de vocês?

Beto: Infelizmente, ainda não conheço as bandas, mas estou curioso para ver os shows! Agradeço pelos links, vou procurar ouvir com atenção as duas! Se são das principais representantes da cidade é porque fizeram por merecer e para o Violins é uma honra poder fazer parte da mesma noite!

Luiz Fernando: Depois de nove anos de banda, tocar pela primeira vez em uma cidade continua sendo uma experiência muito diferente de tocar em Goiânia? O Violins pretende fazer uma turnê passando por mais lugares do que as turnês dos discos anteriores?

Beto: Tocar pela primeira vez numa cidade é uma aventura sempre! Principalmente quando você já tem tantos discos lançados. É um desafio escolher músicas, montar setlist, tudo envolve uma expectativa de como será a recepção dessa cidade em que você nunca teve a oportunidade de defender suas músicas. Estamos muito felizes de poder fazer isso!

Entrevista - JONAS LOPES

Aquela pergunta chata e batida: por que vocês decidiram passar a cantar em português e abreviar o nome da banda?
Decidimos cantar em português porque a gente achou que seria um bom desafio e um crescimento se compuséssemos em português. Isso tornaria a banda mais real, mais visceral. E nos daria mais identidade também, além de podermos pensar seriamente em uma divulgação mais midiática, mais popular, quem sabe... A gente faz música pra ser ouvido, no fim das contas, e estamos aqui no Brasil onde quase ninguém, pra falar a verdade, entende inglês. O nome continua em inglês, mas resolvemos simplificar pra acompanhar a concepção do disco em português. 

Vocês chegaram a sofrer represálias de fãs que não concordaram com a mudança de idioma?
Ah, sim... Ninguém, claro, chegou a bater em algum integrante. Mas certamente passamos por um processo meio tumultuado, porque criaram a ilusão que a gente era uma banda hype na cidade. Quando isso aconteceu, resolvemos mudar as coisas, então neguinho começou a nos esculachar. Até latada em show eu tomei. Mas a gente sabe o que quer e fazemos música porque gostamos, não para agradar a todos. Estamos muito satisfeitos com o que a banda faz e sabemos que, mesmo que a gente perca uns fãs xiitas, ganharemos outros. É o processo natural da música. Uns sempre vão achar um lixo aquilo que você acha genial. 

Você produziu o disco sozinho. Não teve medo de o resultado da produção ficar abaixo do esperado por não ter um produtor tão experiente por trás?
Medo eu tive, claro! Sou inexperiente como produtor, um aprendiz total. Mas contei com uma boa ajuda, fundamental até, do resto da banda, e eu voltei centenas de vezes ao estúdio para arrumar detalhes de mixagem que quase me deixaram maluco. Cheguei a mexer em coisas do disco sem comunicar o resto da banda, para não acharem que eu estava doido. Eu já não conseguia ouvir o disco sem achar um defeito, então tive que desistir da mixagem. Porque dizem que mixagem você não termina, você desiste.
No fim, acho que o disco ficou audível, mas está longe do que quero como um bom disco. Ainda há coisas que me incomodam muito nele, mas tenho consciência de que as pessoas ouvirão e acharão a gravação de ótima qualidade. Acho que para um próximo eu estarei mais preparado e as coisas vão soar muito melhores. 

Como rola o processo de composição do Violins? Todos compõem juntos e você chega com a letra depois?
Não. Eu componho letra e música – ou seja, a letra, uma base de guitarra e a melodia vocal. Então a gente se reúne e cada um faz sua parte em cima daquilo que eu montei sozinho. Estamos testando agora letras de outros integrantes também... Estou muito sobrecarregado. Mas, sério, na banda há ótimos talentos também como letristas e a gente precisa aproveitar melhor isso. O próximo disco deve ter letra que não é minha. 

As letras são bastante líricas, falam de sentimentos. Elas são autobiográficas? As pessoas costumam fazer interpretações pessoais delas?
Isso é uma coisa interessante que acontece, já que sempre que criticam uma letra identificam-na logo com minha vida pessoal. Eu acho que passo a impressão de estar cantando realmente sobre mim. Isso é um grande feito artístico, mas é também uma maldição. Porque você está exposto a todo tipo de metralhadora. É claro que há letras que não são autobiográficas, que são totalmente fictícias, mas eu desconfio que as pessoas acham que é sobre mim, a julgar pelo que leio na internet ou em resenhas de shows. 

Os arranjos de Aurora Prisma são cheios de cordas, metais e várias camadas de guitarras. Por que esta complexidade? Isso deve se manter no próximo disco?
Então, cara, não é uma coisa premeditada, do tipo “vamos fazer algo complexo”. É algo muito natural. A gente fica pensando no que pode ser feito pra tornar a música mais bonita. De repente, a gente pensou em mil coisas e tudo se torna meio complexo. Mas não é prepotência pura e simples. É uma prepotência canalizada e meio que involuntária. Há músicas em que não achamos que seja necessário acrescentar muito e então deixamo-las bem visceral, como “Auto-de-Fé”, “Auto-Paparazzi”, “Feche Seu Corpo”. Outras a gente acha que pedem mais arranjos e detalhes, então a coisa flui normalmente. O próximo disco deve conter, sim, arranjos orquestrados, mas as partes que não têm orquestra serão bem mais viscerais, com bem mais guitarras e peso. Já até começamos a fazer algumas coisas. No meio independente é assim: quando você lança seu disco, já não agüenta mais as músicas que estão nele. 

Goiânia é uma cidade muito roqueira, e a maioria das bandas é mais “pesada”, como MQN e Hang The Superstars. Vocês nunca ficaram meio deslocados na cena local?
Acho que não. A gente já fez shows com MQN e com o Hang, que são duas grandes bandas de rock. Aqui há um público que também curte o que fazemos, então a gente cumpre essa lacuna. Claro que não somos uma banda da tradição garageira de Goiânia. Mas isso até que é bom, dá um ar novo pras coisas que são daqui também. A Monstro está fazendo um ótimo trabalho abrindo esse leque e colocando no seu cast bandas que não são de garagem, como é o caso do Barfly, também daqui de Goiânia. 

Estando na Monstro, você acha que a distribuição das gravadoras independentes já é satisfatória com o Cartel? Vocês aceitariam um contrato com uma major, sabendo que dificilmente seriam a prioridade da gravadora?
Essa pergunta é difícil. Eu acho que a distribuição independente melhorou bastante, mas ainda não é a ideal. Mas, comparando com o que se tinha há uns cinco anos atrás, as coisas estão muito maiores e mais organizadas, com certeza. E tende a melhorar cada vez mais. Sobre isso de aceitar contrato com uma major, tudo depende, né, cara? Quem não quer gravar um disco com um bom orçamento e fazer turnê com estrutura? Você não precisa ser prioridade da gravadora, basta que você tenha seu disco como prioridade da sua vida. O primeiro passo pra fazer algo bom e sincero é não querer ser prioridade de nada que não seja você mesmo e seus companheiros de banda. 

Muito se reclama aqui no Brasil que não há uma segunda divisão de sucesso, uma estruturação maior do meio independente. Essa segunda divisão pode ser atingida? E quais são as principais deficiências desta cena independente?
A segunda divisão é bastante difícil de ser atingida. O que pode acontecer é que a segunda divisão obtenha uma visibilidade maior com a decadência da primeira. É como o jogo do Palmeiras e do Botafogo na série B. Chega uma hora que a segunda divisão começa a ter uma visibilidade que não pode ser negada, e aí o jogo vai pra televisão. As deficiências são todas fruto da falta de receita, justamente porque não se tem um esquemão por trás, não se tem grandes apoios e patrocinadores, porque o jogo não passa na TV. 

Na época do Wake Up And Dream, a imprensa costumava comparar vocês muito com o Radiohead. Como você acha que será a recepção ao Aurora Prisma?
Ah, eu tenho ouvido coisas geniais a respeito disso! A gente já foi comparado de Ivan Lins a 14 Bis, passando por Lô Borges e Clube da Esquina. Guilherme Arantes também! Eu acho isso muito interessante. Somos uma banda de jovens que nunca ouviram MPB. Tocamos guitarras ali no palco, com todo esse público jovem embaixo, e a referência mais próxima que conseguem nos colocar agora é Ivan Lins. Há algo de muito estranho nisso, no mínimo. Pra não dizer interessante. Mas, como eu sempre digo, muitas vezes falam isso como algo pejorativo. O cara te xinga de Ivan Lins. Eu sempre lembro que até Paul McCartney é fã do cara, daqueles de entrarem no camarim do Ivan depois de show. Então eu me sinto lisonjeado. E, enfim, que outra banda recebe tantas comparações mirabolantes? Se eu fosse um pouco mais inteligente, usaria isso a meu favor, como uma jogada de marketing... (risos) O único problema é que não consigo identificar essas referências no som. Acho que não tem muita coisa a ver, embora eu não seja a pessoa mais indicada pra falar. Só não compreendo. 

O que você tem ouvido, tanto daqui quanto de fora?
Daqui eu tenho ouvido Gram, ótima banda de São Paulo. De fora, no ano passado, eu ouvi muito Rufus Wainwright, Thrills, Death Cab For Cutie, Fire Theft. Enfim, ouço sempre muita coisa. Esses discos aí foram os que me deixaram felizes nesse ano. 

Quais são os planos do Violins para 2004?
Aquela coisa de sempre! Tocar e divulgar o disco. No fim do ano, preparar-se para gravar um outro, porque ninguém é de ferro e o tempo é ingrato com a gente. 

Entrevista - ALTO FALANTE

Alto-Falante: Fale um pouco sobre o processo de produção/gravação de "Greve das Navalhas". A mixagem e masterização foram feitas no mesmo estúdio que vocês gravaram, o Rock Lab?
Beto Cupertino: Sim, mixagem e masterização foram feitas pelo Gustavo Vazquez no Rocklab. É o terceiro disco que gravamos com eles e provavelmente, se formos gravar algum outro disco no futuro, será lá também. 


AF: Falando nisso, quem assina a produção de "Greve das Navalhas"? Qual é o papel de Gustavo Vazquez na história do disco?
BC: A produção é feita, em termos de arranjos, pela própria banda. O Gustavo tem papel principal no trabalho de transformar o que a gente pensa em timbres e bons áudios, opina também nas questões relativas a arranjos e interpretações, quando é o caso.


AF: O CD físico sairá pela Monstro Discos mesmo, certo? Como funciona a "parceria" da banda com a Monstro? Vocês apresentam algum material pra eles antes de gravarem?
BC: Sim, o cd sairá fisicamente pela Monstro. A nossa parceria já tem quase 10 anos, então eles têm total confiança no que a gente faz, não é necessário que eu apresente para eles o disco antes. Normalmente o Léo Bigode me diz que qualquer coisa que eu fizer ele vai lançar, o que acho muito generoso e perigoso da parte dele (risos).


AF: O disco tem algum conceito, algum "tema" que direciona as canções, como nos álbuns anteriores?
BC: Alguns temas recorrentes como questões ambientais, o nosso medo atual do fim do mundo, mas de uma certa forma tudo isso é tratado com um teor de otimismo. A figura do sol é bem presente, desde a capa até o conteúdo de algumas músicas. Até nas músicas que narram tragédias, como Tsunami, há um final feliz. 


AF: Algumas músicas foram gravadas com mais de uma guitarra. Você acha que isso possa impedir que elas sejam executadas de maneira próxima ao disco durante os shows? Já que você é o único guitarrista da banda.
BC: Normalmente não tenho a preocupação do ao vivo quando estou gravando um disco. A idéia é sempre deixar o disco o mais bem arranjado possível, mesmo que isso signifique uma versão diferente no show. Não gosto muito de gravar um disco pensando em como executá-lo ao vivo. 

AF: Como foi o processo de composição das músicas para o disco? Você apresenta as canções para os outros integrantes e todos trabalham em cima daquilo?
BC: Sim, apresento a música crua, com voz e violão, ou guitarra, e aí, caso eles gostem, a gente monta as outras partes no estúdio, com cada um fazer o arranjo do seu instrumento. As músicas do disco foram feitas durante o segundo semestre de 2009.
AF: No tópico "Diário de Gravação", na comunidade da banda no Orkut, você afirmou que o "Greve das Navalhas" significa muito pra você. Imagino que todo disco deve significar muito pra qualquer músico. Mas este tem algum significado especial? Tem relação com o fim e a volta da banda no ano passado?
BC: Esse disco é importante porque acho que conseguimos fazer algo interessante para quem acompanha a banda ouvir, depois de tantos discos lançados e tantas idas e vindas da banda. Deu a sensação que ainda temos algo a mostrar, por isso tenho por esse disco um carinho especial.
AF: E aquela pergunta que vocês já escutaram um monte de vezes: o Violins pretende lançar clipe de alguma música do disco?
BC: Não temos nenhum projeto de clipe pronto, mas confesso que já tivemos algumas conversas sobre isso. É uma idéia que temos que amadurecer. Nunca trabalhamos com essa ferramenta.


AF: Vocês já têm marcado algum show de lançamento do álbum?
BC: Ainda nada marcado.


AF: O que a banda pretende fazer após o lançamento das de "Greve das Navalhas"? Além de todo o esquema de divulgação, claro.
BC: Tocar as músicas ao vivo! Essas músicas são quase todas muito novas e não as tocamos ao vivo. Quero ver como será essa experiência!

Entrevista - DOSOL

Que influência musical você aponta para esse novo trabalho?
Acho que não há nenhuma influência que eu possa apontar em particular, esse disco foi pensado pra ser musicalmente calcado em um estilo de som que a gente gosta muito, que é a junção de guitarras densas com melodias. Acho que é mais fácil citar esse nicho musical que a gente pretendeu com a composição do álbum do que apontar uma influência x ou y, porque cada integrante da banda traz uma bagagem diferente.
Qual é a sua bagagem? O que ou quem lhe trouxe onde você se encontra agora, musicalmente falando, é claro…
Bom, o caminho é longo. Ele começa desde Beatles, Zombies, Beach Boys, passa pelo progressivo de Pink Floyd, dá aquela passeada pelo Grunge e pelo indie 90´s, e também música brasileira, com Chico Buarque, Caetano, que ouvi muito na adolescência, enfim, acho que é por aí. É difícil citar nomes porque realmente ouço e ouvi muita coisa e nem eu mesmo sei ao certo o que me influenciou e o que deixou de influenciar e em que grau isso aconteceu. No fim das contas, acho que tudo que você ouve te influencia de alguma forma, seja para captar o lado positivo, seja para saber o que você realmente não quer pra si.
A arte da capa é uma síntese em relação ao tema proposto no álbum: o fim simbolizado pelo X, e ao mesmo tempo como se fosse uma tentativa de remendar algo que não tem mais conserto… Pedro Saddi (tecladista) fez a arte depois de todas as músicas compostas?
Sim, ele fez a arte da capa depois do disco estar já concebido, então ela segue a tendência do que está sendo passado nas músicas. Particularmente gostei muito dessa capa, achei bem representativa!
Seria muita divagação dizer que algumas músicas estão relacionadas a Lei dos Três Estados de Augusto Comte? Você estudou filosofia, não? O teológico seria a “Roda da História” e “Morte da Chuva”, a existência do homem, são as duas únicas músicas que você menciona um criador. O metafísico na “Reinvenção da Roda”, a origem e o destino de todas as coisas e o positivismo em “Um Só Fato”.
Acho que Roda da História e Morte da Chuva não chegam a ser músicas de cunho teológico, elas tratam do tema sob um aspecto muito mais mundano, descompromissado com idéia de Deus. Em Roda da História, Deus é citado mais como um brincalhão. De um modo geral, as músicas todas do disco não possuem muito de metafísica e teologia, elas são muito mais terrenas e mundanas, tratam de temas imanentes, de coisas que estão na terra e na nossa cara. Não tive intenção de fazê-las soar cheias de preceitos metafísicos ou teológicos, não tive essa pretensão. Elas devem soar mais simples.
Que disco temático/conceitual que você mais gosta dentro do rock/pop?
Eu ficaria com Pink Floyd – The Wall.
Você já deve ter lido diferentes versões a respeito do tema de “Greve das Navalhas”: ‘quem olha só com os olhos não vê/o assunto que discuto’. Era seu propósito deixar margem para diversas interpretações?
Isso é inevitável, no meu ponto de vista, porque qualquer coisa que eu escreva, por mais claro que eu pense que seja, as pessoas vão receber de uma forma diferente daquilo que pensei, cada um fará sua interpretação de acordo com suas experiências, com sua disposição cognitiva, enfim, o modo como as pessoas recebem a música e a letra é muito subjetiva. O que a gente pode fazer, no máximo, é criar um clima para o álbum, uma determinada atmosfera geral que permeia o decorrer das faixas que o compõem, mas é um exercício impossível fazer música que tenha interpretação fixa e determinada, eu sinceramente não conseguiria fazer isso. No entanto, vejo isso com bons olhos, acho muito legal que cada pessoa possa fazer sua própria interpretação e tomar pra si a música e sua letra.
Qual música deu início ao tema do álbum? Existiu essa intenção conceitual desde a primeira música composta?
Uma das músicas que iniciaram todo o processo foi “Comercial de Papelaria”, que já possuía um viés de mensagem mais otimista. Depois me dei conta que estava fazendo uma série de músicas em que a temática do sol e do fim eram recorrentes. Acabou que me dei conta da idéia de falar sobre o fim sob um prisma otimista, que é um modo menos clichê de ver as coisas e cumpriria dignamente aquela atmosfera geral que mencionei na resposta anterior.
Qual foi a principal inspiração para escrever as letras de Greve das Navalhas?
Creio que essa paranóia atual que estamos vivendo de insegurança sobre o futuro da humanidade. Ela não é nova, claro, já existiu há algumas décadas atrás. Mas os motivos são sempre reinventados. Vira e mexe, você abre um site, lê uma revista, vê um filme, enfim, algo que volta a essa preocupação fundamental com os rumos do mundo, seja por medo dos anseios nucleares dos países em guerra religiosa, seja pela teoria sobre 2012, são muitos motivos. A idéia foi então transformar isso em algo menos paranóico, mais sereno, contemplativo, aceitar que, se o mundo está indo pro buraco, é natural que ele vá, porque não vai durar para sempre, e isso está ok. É como se fôssemos entrar em desespero pelo fato de que todo homem nasce e morre, quando isso é natural. Então a idéia era a de subverter essa paranóia em uma percepção mais contemplativa e lúcida do começo e do fim das coisas, sem transformar isso num grande drama.
“A Fila”, por exemplo, tem quatro andamentos/batidas diferentes. Isso se tornou uma constante conscientemente?
Sinceramente, não é algo premeditado. Quase sempre descobrimos essas mudanças de andamento quando vamos programar os metrônomos para gravar. É uma mania minha como compositor a de tentar explorar climas no decorrer de uma música, mas é algo puramente intuitivo, coisa que nem percebo na hora que estou fazendo. Depois é que complica na hora de gravar, mas depois de cinco discos já pegamos a manha de executar essas mudanças seguindo o metrônomo. Dá mais trabalho, mas eu me sentiria bem limitado se tivesse que começar a compor preocupado em evitar isso ou aquilo.
Mesmo sendo algo não premeditado, você teria alguma explicação para que isso tivesse início? Algum estilo musical lhe levou a seguir essa linha?
Acho que deve ser resquício do progressivo! É a única explicação que eu acho (risos).
Qual dos discos do Violins você aponta como seu favorito e por quê?
Já essa é uma pergunta muito difícil de responder, é como você me pedir para escolher um filho preferido. Acho que cada disco tem passagens que significam muito para mim, cada um teve sua história e seu momento de acontecer, então é difícil falar de um, quando você tem seis. Eu não consigo ter esse olhar de preferência sobre os discos que fizemos, eu os vejo de uma forma muito mais fraternal, eles estão muito ligados na minha cabeça. É, para mim, como se fosse uma obra só. E ela ainda está incompleta na minha cabeça, por isso não consigo ter esse pensamento de destacar um, como se já tivesse o montante da obra toda pronta. Ainda vejo que há muito o que fazer, seja com a banda, seja sozinho, porque música na minha vida será um exercício recorrente enquanto eu tiver saúde para compor.
Luciano Viana disse que “Do Tempo é canditada séria a uma das melhores músicas de rock do ano”. Nela tem um verso que retrata um fato que vivenciamos todos os dias na esquina da nossa casa: “Pouca gente vai morrer de velho”.
Pô, que legal que ele pense isso. É uma música sobre a consciência da nossa finitude e sobre como isso se desenrola de uma forma totalmente autônoma, o ciclo da vida é uma máquina que funciona sozinha e nós temos pouquíssima influência no seu funcionamento, por mais que criemos grandes pilares para nos segurarmos, por mais crenças e grandes justificativas que sejam formuladas, no fim a máquina começa e deixa de funcionar na hora que ela quiser e ela apaga quem faz o bem e quem faz o mal da mesma forma, sem a mínima recompensa. Todo mundo é igual diante do tempo.
Na música seguinte “Fluorescente”, você contradiz essa afirmação da nossa finitude, dizendo: “Ninguém morreu e nasceu diversas vezes como eu/Ninguém!”
Em fluorescente a idéia de vida e morte diversas vezes tem um viés mais metafórico, de você se desconstruir e reconstruir diversas vezes. Trata das mortes diversas que temos quando acontece algo ruim, quando algo acaba, e como sempre tornamos a viver com o passar do tempo e com uma nova vida que surge de toda desconstrução dessa.
“Tsunami” é uma música difícil de cantar, mas a melodia fica rondando a cabeça, a combinação da devastação natural do fenômeno e a atitude, aparentemente, discrepante de ser otimista, diante da tragédia. Em minha opinião, ela consegue condensar todo o clima do disco, descrito por você.
Exatamente. É uma música que narra uma tragédia com final feliz. Dentro daquela idéia geral que comentei sobre o disco.
Numa entrevista para o blog “Tenho Mais Discos Que Amigos” em julho desse ano, você disse: “Eu mesmo não compro um disco há muito tempo”. Creio que foi a frase mais triste que ouvi nos últimos 15 anos! Nem imagino que um dia eu possa deixar de fazer isso. Quando você perdeu o gosto por adquirir CDs/LPs de bandas que você gosta?
Na verdade nunca tive apego a discos, não tenho esse apego pelo cd material. Minha relação é muito mais com a música, e isso não importa se ela está no cd, num pendrive, num mp3 player, o que importa para mim é a música poder ser ouvida. Eu entendo e admiro quem tem esse apego pelo cd, pelo encarte, por tudo que envolve, mas eu nunca consegui ter essa paixão.
Você está satisfeito com o que a banda fez nesses nove anos de existência? Você mudaria alguma coisa, se pudesse?
Acho que a gente fez o que pôde. Alguém poderia dizer que nós poderíamos ter nos dedicado mais, mudado de cidade, arriscado mais, etc., mas se não fizemos é porque nossa vida foi seguindo um rumo que não tornou isso possível e eu não tenho nada a lamentar. Acho que como banda fomos muito mais longe do que eu pensei que iríamos quando montamos tudo lá no início. Recebo quase diariamente mensagem de pessoas que escutaram a banda e descobriram nela um motivo para passar melhor um dia, para se inspirar para algo, para se sentir representado pela letra, confortado por uma melodia, e para mim se uma pessoa, uma só, foi ajudada pela banda para que a vida seja melhor, isso já valeu a pena não só a existência da banda, mas minha própria existência.
Para finalizar, deixo uma citação para você comentar: “Acho que há uma relação, talvez não reconhecida entre a bateria e as palavras, devido à estrutura do ritmo e versos. Eles são especialmente fortes e tão eficientes quanto a bateria. O padrão do pensamento acima de tudo funciona como as palavras e o rufar da bateria”. Neil Peart
Concordo plenamente. Acho que o grande baterista é aquele que consegue captar a alma da música, o que ela quer passar, e transforma isso em ritmo. Sabe a hora do silêncio e a hora do barulho. Em que momento deve haver drama e em que momento deve haver alívio, quando deve haver tensão e quando deve haver relaxamento. Eu admiro muito o Pierre (baterista) porque ele é um baterista sensível a essas questões. Uma banda precisa ter os seus integrantes imersos na idéia da música para que a música possa ser a união de todos os instrumentos numa só idéia, em vez de cada instrumento falar sua própria língua e a música ser uma junção de individualidades isoladas. Em muitas músicas, se não houvesse determinada batida de bateria ou determinada linha de baixo, ou mesmo uma melodia do teclado, o resultado final seria absolutamente diferente, desprovido de emoção, sem alcance.

Entrevistas - TMDQA


TMDQA 1 – A banda Violins iniciou sua carreira com outro nome e cantando em inglês. Conte-nos um pouco sobre o princípio da Violins and Old Books e também fale dos motivos de ter, depois do lançamento do primeiro EP (“Wake Up and Dream), optado pelo português e pelo encurtamento do nome para apenas o que é usado hoje.
Beto Cupertino - A banda começou no início de 2001, com composições em inglês que remetiam diretamente às influências que tínhamos à época. Como nós não nos conhecíamos antes da banda, era um modo de termos um ponto de apoio em comum, algo que fosse acordo entre todos, principalmente no que se referia às bandas que nós gostávamos. Posteriormente, com a banda já se sentindo mais à vontade com o fato de ser uma banda, cada um já mais confortável com o outro, decidimos passar a compor em português, criar uma cara mais nossa, para melhor interação com o público através de letras que fossem compreendidas, etc. Como já tínhamos tocado em alguns festivais importantes como Violins and Old Books e todos já nos chamavam apenas por Violins, decidimos adotar esse encurtamento para ficar menos estranho, pois letras em português com um nome extenso em inglês parecia meio complicado.
TMDQA 2 – Você falou que os músicos que formavam a Violins And Old Books não se conheciam antes. Como vocês então conseguiram montar a banda? Quais eram suas influências da época que foram usadas pra compor o primeiro EP “Wake Up And Dream”?
BC - Nós nos conhecemos durante uma viagem de estudantes da PUC-GO para um Congresso do CNPq. Éramos todos pesquisadores e nos conhecemos no ônibus. Foi aí que começamos a conversar sobre música e a notar que tínhamos afinidades, como Pink Floyd, Radiohead, Grunge, e também tocávamos instrumentos diferentes, daí a idéia de formar a banda.
TMDQA 3 – Que interessante! Quer dizer que todos vocês eram pesquisadores da mesma área? Que área de estudo era?
BC - Na verdade, éramos de áreas diferentes, mas da mesma universidade. Eu era da Filosofia e o Pierre e o Timóteo da Psicologia. Aí entrou na banda também o irmão da Pierre, o Léo Alcanfôr, que não estava nessa viagem e fez parte da banda até o disco “Grandes Infiéis”.
TMDQA 4 – Pois é, uma questão que eu gostaria de perguntar: porquê o Léo saiu da banda? Lembro-me de ter lido em algum lugar que ele era um cara muito ligado ao metal e vocês até chegaram a achar que ele não entraria no contexto musical da banda antes de tocar com ele…
BC - O Léo sempre foi um cara muito importante para a banda, suas guitarras foram muito relevantes nos discos que ele participou. Ao final do ciclo do “Grandes Infiéis”, ele se mudou para Londres, passou uma breve temporada lá, e quando voltou estava disposto a tentar novos caminhos na música. Ele hoje toca numa banda chamada Mugo, rock pesado e muito bem feito que compensa conhecer no www.myspace.com/mugobr .
TMDQA 5 – Falando um pouco sobre seu trabalho junto ao Selo Monstro Discos: como se deu o início do trabalho entre vocês? Vemos que eles tem um nome grande aí em Goiânia com bandas em seu cast de alta qualidade como MQN, Black Drawing Chalks e a própria Violins. Vocês já receberam alguma proposta de ir para outro selo?
BC - Começamos uma parceria bem no início da banda. Na época, arrumamos um jeito de levar o Fabrício Nobre (produtor do selo) a um ensaio. Não conhecíamos ninguém da Monstro, nem mesmo o Fabrício. Ele se dispôs a ir no ensaio, achou que seria interessante a banda entrar no selo, e desde então começou essa parceria do Violins com a Monstro, que lançou todos nossos discos. Já tivemos propostas de lançar disco por outro selo, mas nunca valeu a pena deixar de fazer parte da Monstro.
TMDQA 6 – Falando um pouco sobre a discografia da Violins: vocês já possuem 5 álbuns completos e 1 Ep. Todos possuem encarte e arte gráfica bem conceitual e bem trabalhadas. Vocês já pensaram em algum momento em lançar esse material em Vinil?
BC – Sinceramente nunca nos passou pela cabeça lançar algo em vinil. Pra falar a verdade, já chegamos a cogitar se vale a pena lançar cd hoje em dia, se não é melhor focar apenas na questão virtual, mas acabamos por decidir, com o aval da Monstro, que ainda dá pra lançar cd físico.
TMDQA 7 – E como são as vendagens da Violins? Sei que o “Aurora-Prisma” de 2003 está esgotado. Há planos de relançar esse álbum?
BC – Vender disco hoje em dia está cada vez mais difícil. As vendas são modestas, apesar de serem boas, se considerarmos o universo de bandas independentes. Elas se dão através do site do selo e nos nossos shows. Ainda há pessoas que compram discos, mas o número de pessoas que compram discos é cada vez menor. Sobre o “Aurora Prisma”, não  há planos para relançamento, porque é um custo alto e certamente não haveria retorno.
TMDQA  8 – O que você acha das pessoas que adoram a Violins, baixam todos os álbuns na internet mas nunca compram nada da banda?
BC – Eu parto do seguinte pressuposto: eu mesmo não compro um disco há muito tempo. Não posso exigir de alguém então que compre disco da minha banda. Só posso agradecer que há pessoas que se interessem e baixem as músicas para ouvir. Isso já é fantástico. O fato de uma pessoa não comprar algo da banda não me desaponta de forma alguma, até porque nós mesmos oferecemos o disco gratuitamente pelo nosso site oficial.
TMDQA 9 – Penso de uma forma parecida. O álbum da minha banda (Endorama) também está disponível pra download gratuito, mas eu sou um dos que ainda compra a mídia física, sendo Vinil ou CD. Eu mesmo adoraria ter a discografia da Violins em Vinil. Mas, partindo da sua idéia, não seria então interessante colocar para download todos os álbuns da Violins  no próprio site? Isso de alguma forma afetaria a sua ligação com a Monstro?
BC – Os discos não ficam todos à disposição porque tentamos manter um equilíbrio entre a disponibilização gratuita e o relacionamento com o selo, que é o lado comercial da venda do disco. Por isso tentamos manter essa balança, disponibilizando as músicas em boa qualidade por um período de tempo, o que atende aquelas pessoas que acompanham mais de perto a banda, e depois deixando o selo com a exclusividade da venda do disco. Acho que esse meio termo é o ideal, se você faz parte de um selo.
TMDQA 10 – Sobre as composições, todas possuem peculiaridades, por exemplo, a mudança de andamento, muito comum no Rock Progressivo mas não no Indie ou mesmo no Pop. Vejo que as mudanças de andamento também aparecem no seu trabalho solo, o Perito Moreno. Isso é uma característica sua como compositor, ou foi algo que a banda incorporou às suas canções?
BC – É uma característica minha como compositor. Acaba saindo naturalmente quando estou compondo, depois quando vamos montar os metrônomos é que percebemos que há mudanças e uma necessidade trabalhosa de programar os tempos para gravação. Mas acaba valendo a pena!
TMDQA 11 – Sobre suas letras, de onde você recebe influências pra escrever? Gosto de dizer que a parte lírica é um dos pontos fortes da Violins. Você só escreve letras de músicas ou tem mais algum trabalho como autor?
BC – Influência para escrever normalmente é algo muito subjetivo. Vem de diversas fontes, de muitas experiências diferentes, então é complicado apontar uma influência. Desde um programa de tv a uma situação específica de vida podem ser motivos para escrever algo. Eu tenho escrito algumas coisas no campo da literatura mas ainda não estão lançadas, pretendo fazer isso em breve.
TMDQA 12 – O álbum “A Redenção dos Corpos” de 2008 é um álbum nitidamente conceitual. Por favor, fale um pouco sobre esse conceito (se é que ele deva realmente ser encarado dessa forma). Você conhece algum outro trabalho nacional que também seja conceitual?
BC – Que me venha à cabeça assim imediatamente não vejo outra banda que faça isso, mas não que seja algo muito especial também. É questão de método de trabalho. O “Redenção dos Corpos” era um disco sobre religiosidade, busca por espiritualidade e reflexão sobre o bem e o mal. As músicas abordam isso de diversas formas, seja liricamente, seja em termos sonoros.
TMDQA 13 – O projeto Perito Moreno terá continuidade? Porque esse nome?
BC – Ainda não tenho nenhum material para esse projeto no momento. Estou concentrado em coisas para a banda atualmente. O nome vem de uma geleira gigantesca da Patagônia que leva esse nome.
TMDQA 14 – E as novidades sobre a Violins, já estão compondo algo novo? Como vão os shows?
BC – Sim, estamos compondo algo novo para fazer um show especial acústico em Natal e depois lançar um disco com essas músicas. Os shows estão acontecendo esporadicamente à medida da nossa disponibilidade. Temos shows marcados para o nordeste e também para o sul até o fim do ano.
TMDQA 15 – Fique a vontade para dizer o que quiser. Esse é um espaço livre!
BC - Aproveito então para agradecer pelo espaço!